Ibama e PF fazem operação contra queimadas em Mato Grosso

Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal (PF) deflagraram na manhã desta quarta-feira, 28, uma operação de combate a desmatamento e queimadas no Estado de Mato Grosso.
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Denominada Siriema, a operação teve início na terra indígena Areões, na região leste do Estado, na divisa com Goiás. A área é habitada pelos povos Xavantes. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) essa é a área com maior número de focos de incêndio em Mato Grosso. Fontes oficiais afirmam, sem citar números, que o fogo já consumiu quase a totalidade da reserva, que tem 219 mil hectares.
Por telefone, o presidente da Federação dos Povos Indígenas de MT Fepoimt, o xavante Crisantô Rudzö, afirmou que essas operações devem ser acompanhadas com “todo cuidado” pela sociedade e povos indígenas. “Os xavantes estão cada vez mais cercados por fazendas e muitos estão de olho nas nossas terras indígenas”, afirmou. Segundo ele, todos os anos acontecem queimadas, mas “este ano é uma situação atípica”.
De acordo com a ONG Instituto Centro e Vida (ICV) o bioma amazônico foi queimado em 62%, o cerrado em 36% e o Pantanal com 2%. Ainda segundo a ONG, 60% das queimadas acontecem em imóveis rurais privados inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Segundo fontes oficiais, na operação Siriema, caminhões e tratores foram encontrados na reserva. Também, já derrubadas, foram encontradas toras de árvores como ipês e jatobás prontas para serem carregadas.
De acordo com alertas emitidos pela Plataforma de Monitoramento com Imagens Satélite Planet, entre os dias 13 a 17 de agosto, a área total de desmatamento, apontada em diversas propriedades, é de aproximadamente 1,5 mil hectares em Floresta Amazônica, só no município de Marcelândia.
Segundo a assessoria da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) todos “os alertas de desmatamento pelo Satélite Planet foram confirmados, uma parte com sobrevoo e outra por via terrestre”. Ainda segundo o órgão, a primeira fiscalização em campo baseada nestes dados resultou em multas de R$ 7,5 milhões.
Em 2019, as áreas que mais registram queimadas são: Colniza, com 9,9% do total. Em segundo lugar, está Aripuanã (5,6%). Depois, vem Feliz Natal (4,2%), Juara (2,8%), Rondolândia (2,7%), Nova Bandeirantes (2,7%), Apiacás (2,5%), Paranatinga (2,5%), União do Sul (2,5%) e Santa Carmem (2,4%).